sábado, 28 de fevereiro de 2015

A COVARDIA DO GOVERNO DILMA

Confesso que as ultimas eleições foram animadoras. Após a difícil disputa e os discursos à esquerda, Dilma ganhou força e as eleições graças aos movimentos sociais/populares que intensificaram a caminhada nas ruas. Dilma só ganhou as eleições porque falou diretamente com o povo, falou de resistência com os negros e demais oprimidos, de ampliação dos ganhos sociais e de reforma política como deve ser, através de um plebiscito.

Dois meses após a posse, percebemos até aqui que Dilma fraquejou.  Não votei na Dilma para aumentar as tarifas de energia, combustível e juros. Não votei no PT para o governador comemorar como um gol a chacina no Cabula em Salvador. Não votei na Dilma para ver Kátia Abreu como ministra da agricultura e falando que não existem mais latifúndios. Não votei na Dilma para ver Joaquim Levy comandar a economia arrochando ainda mais os trabalhadores que a elegeram. Sim, com coerência temos que admitir, é sim estelionato.

O governo Dilma está perdendo uma das maiores oportunidades da história. Com as riquezas mundiais diminuídas, não dá mais para continuar com uma política em que todos ganham, é hora de posicionar-se ao lado de quem a apoiou. A crise atual foi ocasionada pela ganância dos milionários e suas empresas e são eles que devem pagar por ela. O momento clama por reformas estruturantes: taxação de grandes fortunas, regulação e democratização dos meios de comunicação e reforma política através de um plebiscito popular. Foi pra isso que o PT se reelegeu.

Contudo, mesmo com todas as contradições, jamais apoiaria o golpismo. Se os fascistas vão às ruas no dia 15 de março pedir impeachment com beicinho de menino mimado após as eleições passadas, o povo tem que responder que não aceita o golpe. Não aceitamos essa palhaçada comandada pelo PSDB porque sabemos o caminho que ela nos levará. Mas para irmos às ruas defendê-la, o governo Dilma tem que se tornar defensável e no momento não é. Pergunte no boca-boca e verá o quão difícil é defender o governo Dilma. A presidenta tem que posicionar-se urgentemente à esquerda ou será tarde, como foi tarde demais para Vargas em 1954. Ela está perdendo a confiança dos seus eleitores em apenas dois meses e isso é catastrófico.


Ou o governo Dilma para de ser covarde, ou sua defesa  contra o golpismo em curso não será composta por nós trabalhadores. A sua defesa será composta por Levy, Kátia Abreu e Barbosa e sinceramente duvido que eles trocarão o ar-condicionado de suas salas pela bandeira vermelha nas praças públicas. Definitivamente, ou o Governo Dilma muda, ou morre sozinho.

domingo, 19 de outubro de 2014

A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2014 E OS DIVISORES D’AGUA!


Tenho apenas 24 anos e não vivi o período de redemocratização. Dizem que a eleição de 89 foi muito semelhante a essa, pela agressividade, pelo envolvimento midiático e por marcar um verdadeiro divisor d’agua. E pela grande aflição que tenho sentido, para que esta não seja igual aquela, vou balizar alguns pontos de discussão para entendermos o que está em jogo, os dois projetos antagônicos e porque é imprescindível a eleição de Dilma agora. E mais, balizarei a discussão a partir dos argumentos de parte do eleitorado de Aécio.

Corrupção

Não da para votar no PSDB argumentando que é pelo desejo de acabar com a corrupção. O próprio TSE afirma que o partido de Aécio é um dos mais corrupto (1). A grande diferença é como a corrupção é tratada pela mídia, quando o erro é cometido pelo PSDB a mídia brasileira mente, esconde e distorce (2,3). Quando o erro é cometido pelo partido dos trabalhadores, eles são tidos como escórias sociais, sem o menor pudor de estar culpando alguém antes do julgamento. Cadê o cartel do metrô em São Paulo? (4, 5) Cadê o mensalão mineiro? E as irregularidades no governo de Aecio em Minas Gerais? (6) Quem for culpado, independente dos lados, tem que ser punidos e isso Dilma nunca escondeu, ao contrario de Aécio. (7)

INFLAÇÃO

Não da para votar no Aécio argumentando que é devido o medo da inflação. (8,9) O poder de compra dos trabalhadores é infinitamente superior ao do período FHC. Entre na casa de um pobre e veja, provavelmente encontrará computador, geladeira, micro-ondas, carro, maquina de lavar, algo inimaginável há 12 anos atrás.

A TAL DITADURA PETISTA

Como falar que vivemos uma ditadura  com toda a grande mídia batendo no PT todos os dias? Ainda que alguns jornalistas merecessem ser presos pela desinformação e cultura do ódio nada acontece. A mídia está fazendo uma campanha deplorável pro-Aécio. Já o o PSDB sempre amordaçou a mídia escancaradamente e a grande mídia nunca se preocupou com a democracia, pelo contrário, foi a globo que apoiou a ditadura militar e não o PT.

PORQUE DILMA?

PELO PROJETO

Porque das alternativas apresentadas, Dilma tem o projeto mais coeso para ampliar os projetos de justiça social. Observe a sua volta, essa é a primeira geração em que a maioria da população não possui o medo da fome (10). Essa é a primeira geração em mais de 500 anos de história em que o negro e pobre tem condições concretas de ingressar na universidade pelas cotas, prouni, fies.(11) É a primeira geração em o pobre pode ter sua casa própria (Programa minha casa minha vida) longe dos morros que desabam em tempos de chuva.

A desigualdade social no Brasil caiu a níveis jamais vistos (12) e isso realmente incomoda. Incomoda porque o pobre tem viajado de avião, tem frequentado locais de lazer antes restrito a classe média alta. Esse alargamento da classe média gera uma aproximação que os mais conservadores não toleram, o cheiro de povo incomoda muito.

Sei que o PT fez alianças deploráveis e sou crítico ferrenho a ela. São essas alianças que não permitem maiores diálogos com os movimentos sociais, limitam a reforma agrária, alicerça o poder dos ruralistas e enfraquecem vários avanços. Mas sei que o PT é o único, diante dos projetos atuais, que podem conduzir uma reforma política que mais se aproxime daquilo que desejamos.

PELO FIM DO DEPLORÁVEL ANTIPETISMO

O antipetismo atual tem raízes radicais, fascistas e elitistas. É um movimento despolitizado, desconectado da história e que, é diariamente alimentado pela mídia. Não é coincidência que o nordeste apoie o PT. Somos nós nordestinos quem mais sentiram na pele as mudanças dos últimos tempos. Somos nós que fomos atingidos majoritariamente pelo bolsa família, luz para todos, água para todos. É sobre os nossos ombros que sempre pesaram a desigualdade social.

Ainda que limitado, foi o PT quem mais transformou esse país para melhor, foi quem mais distribuiu renda, ampliou o numero das universidades e o acesso a elas, foi quem mais reduziu a mortalidade infantil e ampliou o acesso a saúde. Porque Aécio fala tanto em não olhar para trás? Porque ele tem medo da história. Mas sei, que somente a história nos fará entender o que está em jogo, somente a história nos instrumentaliza a buscar melhorias, só a história é capaz de desmascarar o PSDB. Quem não lembra de Armínio Fraga? Quem esqueceu do arrocho salarial, desemprego galopante e juros alto? Quem lembra da nossa subordinação aos EUA e FMI? Quem lembra da nossa colonização? Por isso, o antipetismo, alimentado pela grande mídia é despolitizado, branco, xenofóbico e elitista.

Os programas sociais são extremamente necessários, pois são capazes de dar autonomia, oportunidades para que um dia as pessoas não necessitem mais deles. Dirão os ultrarrevolucionários atuais: Mas vai ser assim pra sempre? Dar dinheiro fácil, sem trabalhar? Respondo: não sei, e ainda que fossem para sempre não seriam capazes de apagar os mais de 300 anos de escravidão.

O mesmo PSDB que chamou o bolsa família de “bolsa esmola” (3), hoje quer descaradamente sua paternidade. Em tempos de eleição todos se assemelham, mas entendam, não são iguais. Como disse, tenho apenas 24 anos e vi pouca coisa, mas a história é aliada e ela prova que o melhor para o povo continua sendo o PT. Acreditem, se existisse um projeto de mudança sólido, com maiores avanços sociais, certamente defenderia. Sei também que vivemos uma democracia burguesa e que os avanços são muito limitados, mas ainda sim, bastante sólidos.

Vejam os apoios no segundo turno, Aécio recebeu apoio dos pastores Feliciano e Everaldo, passando pelas postagens de Silas Malafaia, aconchego de ruralistas e banqueiros. Dilma recebeu apoio dos movimentos sociais, sindicatos, Marcelo Freixo, Jean Willys e professores. É saber em que lado você se encaixa, para saber quais as classes beneficiadas com cada projeto. Não existe coincidência, o povo tem saber qual o seu lado do muro.

Utilizei como referência sites de cunho burgês, elitista e pró-Aécio para que percebam que os projetos antagônicos e estas eleições marcam um verdadeiro divisor d’agua. Podemos seguir com Dilma e continuar crítico a ela defendendo um projeto ainda mais popular, ou optar por uma mudança que trará um neoliberalismo tosco de volta. De fato, estou curioso pra saber como vai ser esse 26 de outubro e torço para que esta não seja igual aquela eleição de 89.

É como gosto de dizer, a história é fantástica porque nos ajuda a não cometer erros do passado. Para que ninguém esqueça, para que nunca mais aconteça! PSDB nunca mais!

4 - http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/03/mp-denuncia-30-executivos-de-12-empresas-por-cartel-no-metro-e-cptm.html
5 - http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/e-mails-dizem-que-serra-e-arruda-sabiam-de-cartel
6 - http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/eleicoes/2014/conteudo.phtml?id=1507347&tit=MP-aciona-estado-de-Minas-por-suposta-fraude-na-gestao-Aecio-
13 - http://www.youtube.com/watch?v=f6TBh0UdEpM
14. http://www.manchetometro.com.br/
15 - http://www.vermelho.org.br/noticia/251158-6


domingo, 8 de junho de 2014

Ah, Classe Média!

E como diria a indescritível Marilena Chauí eu, de fato, não consigo entender essa classe média brasileira. De tanto sonhar em ser burguesa, ela tem se tornado cada vez mais perversa, violenta, fascista e conservadora.

A classe média não consegue perceber que seus instrumentos são outros, que ela não detém os meios de produção, e, que sua ideologia pregada os distanciam do que de fato são - trabalhadores.

A classe média "morre de medo" da ascensão dos mais pobres, ficam transtornados com o bolsa família e as cotas nas Universidades, por sentirem que o distanciamento entre eles e os historicamente desfavorecidos tem diminuído cada vez mais.

E por isso clamam pela saída do PT e retomada do PSDB/DEM, enaltecem o teatral Joaquim Barbosa, reproduzem textos da VEJA, falam repetidamente da corrupção e segurança para negar os avanços obtidos pela Classe Trabalhadora.

Sei que o PT esta imerso em várias contradições, que não tem assegurando em sua plenitude às bandeiras que sempre empunhou. Mas é inegável também, que mais de 40 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema nos ultimos 12 anos, e esse número, até para Classe Média deve ser estrondosamente significativo, talvez aí a justificativa para tanta agressividade em seus discursos.

Olha para trás e para o lado Classe Média, note os trabalhadores a sua volta e perceba que nós devemos segurar a mesma bandeira e gritar o mesmo coro!

domingo, 9 de setembro de 2012

CONTRARIANDO NOSSAS CONTRADIÇÕES!


A aura que circunda o Supremo Tribunal Federal durante o julgamento do mensalão me faz recordar do Saudoso Paulo Freire. Ao pensar em suas obras, a que mais me instiga é “pedagogia do oprimido”. Não apenas pela clareza, coerência e contribuição na área pedagógica, mas sim pela conclusão arrepiante que tive ao estudá-lo por duas vezes. Em suma, a vida do oprimido (classe trabalhadora) é tão desgraçada, que o mesmo, ao alcançar instrumentos palpáveis, torna-se opressor, tão rude e cruel quanto o seu antigo patrão, do qual reclamou durante anos. Ou seja, o sonho do empregado é tornar-se um dia rico e detentor dos meios de produção, explorando e expropriando o trabalho de outro coitado...

E de onde vem tanta relação Ricardo?! Ora... para começar, o brasileiro, desde a chegada dos colonizadores foi estuprado, expropriado e explorado pelos seguidores e descendentes de Cabral. Para cá, vieram os marginalizados, excluídos, ladrões, todos aqueles indesejados em Portugal tornaram-se nossos descobridores. Estranho seria, se fôssemos cuidados equitativamente pelo Estado, tivéssemos escolas e saúde de qualidade, além de distribuição de terras e renda em meio a uma gestação corrupta, fruto do até então jovem e perspicaz pensamento capitalista.

Nos últimos vinte dias, seja em uma conversa no boteco, trabalho, escola, academia, independente do local, a moda é discutir o julgamento do mensalão. Nessas conversas as conclusões são enfáticas, ora um sentimento de desilusão política e desesperança frente ao futuro, ora discursos emocionantes pautados na ética, moral e exemplo em que todos deveriam ser condenados, a lei da ficha limpa seguida a risca... voltemos então a pedagogia do oprimido...

O mais importante não é o resultado do julgamento, mas sim, para onde esta sendo direcionada a nossa crítica e a própria formação. O mensalão foi uma volta à 1500, por conta dos atuais réus, milhares de pessoas morreram a espera de uma consulta médica, melhores condições de renda, alimentação, moradia e educação. É chocante ver alguém respeitado pelos pobres como o ex-presidente Lula falar de maneira veemente e descarada que a corrupção não aconteceu para defender seus aliados políticos. Pior, é ter/saber o prognóstico que boa parte dos hipócritas e demagogos de butiquim supracitados, estariam sendo réus do mesmo processo caso possuíssem as mesmas oportunidades que Marcos Valério, Jenuíno, Dirceu. Afinal, quem nunca furou uma fila, levou vantagem no troco de supermercado, trapaceou o colega nos jogos de dominó? Guardada as devidas proporções, as coisas são, no mínimo, contraditórias. Somos, no mínimo, pequenos corruptos. E como Paulo Freire era danado de esperto, rs!

Precisamos de fato, da pedagogia do exemplo idealizada por Freire e vivenciada por Chê, Gandhi, Mandela, Luther King, Zumbi. A igualdade social que almejamos só será alcançada quando emanciparmos politicamente os explorados, quando as praças voltarem a se tornar ágoras, greves e manifestações tornarem-se cotidianas e os trabalhadores oprimidos se identificarem com as pautas da sua classe. Para isso, faz-se necessário uma reforma ideológica na nossa educação/formação, instrumentalizando o nosso povo sofrido sobre a real necessidade de viver de acordo as teorias pregadas, afinal, não se muda uma nação com cobranças e imposições, mas sim com exemplos.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Retrato da Barbárie!

56 homicídios e 10 tentativas em Salvador, arrastões com furtos, espancamentos e mais homicídios em Feira de Santana, Barreiras, Jequié. Um verdadeiro flash Back de momentos tenebrosos da nossa história.  Tudo isso em um espaço de tempo de pouquíssimas horas depois de deflagrada a greve dos policiais militares no estado da Bahia. Há tempos não estivemos tão perto de uma guerra civil. Há pesados tempos que as contradições não haviam se tornado tão evidente e uma greve causado tanta preocupação às minorias do poder.

O ministro da Defesa desembarcou em Salvador fazendo o papel que lhe cabe. Reafirmou o decreto de várias prisões aos líderes grevistas, criminalizou o movimento, utilizou a mídia para influenciar a opinião pública, reservou várias vagas nos presídios de segurança máxima para alocar os tais baderneiros e colocou 3 mil homens da força nacional (exército, marinha, aeronáutica, força de segurança nacional, tropa da Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro, com experiência no combate no Haiti e Complexo do Alemão) nas ruas da Capital. O ilustre me fez lembrar Médice quando o mesmo era contrariado. Tudo para a manutenção do Estado Democrático de Direito. A tal lei, ordem e progresso.

Afinal, daqui a exatos 13 dias é carnaval, momento de manifestar toda a alegria do nosso povo, enriquecer comerciantes e donos dos blocos. E para isso a cidade tem que estar em ordem, os nossos cartões postais (elevador Lacerda e o Farol) devem continuar a vender a imagem da nossa alegria e riqueza, os negros e pobres alocados nos morros, nossas pontes livres daqueles mendigos para não assustar os turistas. Por isso, José Eduardo Cardoso foi enfático ao classificar a greve como inaceitável, ilegítimo e criminoso. Afinal, a organização que sustenta o Estado não pode se voltar contra o mesmo. Deve seguir patrulhando, exercendo a violência para controlar a própria violência.

O povo Baiano não pode se voltar contra os grevistas. Eles brigam por direitos, por salários dignos, por melhores condições de vida, saúde e educação. São iguais aos bombeiros do Rio, aos trabalhadores da saúde, aos garis. Gente como a gente. Os mesmos assassinatos que estão sendo cronometrados a partir do inicio da greve aconteceriam mesmo sem a existência do movimento. Talvez de uma forma parcelada, mas infelizmente eram inevitáveis. Isso porque vivemos em meio a um sistema desigual, desumano, que tem a opressão e a violência como pilares de sua manutenção. O que o ilustre Ministro classifica como Estado de Ordem, vejo humildemente como um Estado de Barbárie. Um Estado em que boa parte da população passa fome, é analfabeta, mora em morros em fase de desabamento, normalmente sustentado pelo tráfico não pode ser considerado pacífico. Na verdade, “violentamente pacífico”!

Saúdo à todos os grevistas que mesmo inseridos nas contradições Estatais reivindicam por insalubridade, auxilio acidente e periculosidade, plano de carreira, enfim, lutam por condições dignas. Acredito não dar mais para continuar a viver num sistema miserável em que o povo que levanta sua bandeira é tido como marginal. Não! Não aceitamos mais viver eternamente em Estado de Sítio (alerta). Não podemos mais ter o rotineiro com normal. Essa barbárie há de acabar, não com os policiais voltando às ruas, mas de maneira radical. O ideal da igualdade entre os homens é o que me faz acordar diariamente tendo a certeza que as tensões, ocupações, greves, todo tipo de movimento que lute pela vida devem a cada dia se intensificar até tudo isso se tornar insustentável. Pois, somente assim mudaremos esse retrato tingido com o sangue da nossa gente.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O desejo de algo inédito!


Mais um ano vai chegando ao fim. 2011 foi nada diferente dentre todos os anos que pude presenciar. O povo continua passando fome, a gente continua a discutir falsos problemas, nossa educação entregue às hienas, e, o sistema exploratório cada vez mais intensificado.

Mas todo fim ano surge sempre os desejos de mudanças, de bater no ombro do outro e desejar feliz natal, próspero ano novo, regado a um bom champagne, blá, blá, blá. Nada de novo, DE NOVO!

Que em 2012 consigamos entender o real caos que estamos inseridos. Que os bilhões investidos para construção dos megaeventos (Copa do mundo e Olimpíadas) poderiam de fato melhorar a vida dessa nossa gente. Todos os nossos impostos meus leitores estão sustentando o maquinário elitista, a efetiva globalização do sistema capitalista. Desejo que todos enxerguem que a política e as decisões tomadas através dela estão descaradamente privilegiando a minoria, nossa democracia está cada dia mais defasada!

A violência urbana aumenta progressivamente, nossas matas entregue às lareiras dos grileiros e posseiros, rios destruídos pela poluição, nosso alimento cada vez mais tóxico. Porém, não da pra indignar-se pela metade, seletivamente, ou melhor, apenas sustentado midiáticamente. As coisas devem ser mudadas de maneira integral, é nisso que acredito. A conveniência que afeta o brasileiro tornam a nossa emancipação cada vez mais complexa.

E que o nosso 2012 seja sim, repleto de paz, amor, saúde e força, para lutarmos por tudo que venho falado durante o ano. Que os milhares de moradores de rua, os famintos e o olhar lacrimejado/humilhado daqueles que pedem esmola nos faça entender que a igualdade e o socialismo se faz necessário e imediato.

É como diria Ana Cláudia:

Se não abrires teus olhos
Se não tiveres a terra
Se não entrares na guerra
Começada por outras mãos
Tu serás sem duvidar
Mais um que a morte sugou
Olhando a vida passar!

Nossa mudança há de acontecer. Feliz 2012 e que seja inédito!

sábado, 29 de outubro de 2011

Saudações aos que tem coragem!


O texto desse mês não trata de uma simples crítica. Afinal, a cada 365 dias, em todo 28 de outubro, comemora-se o dia do servidor público, com direito a feriado, festas e faixas de gente importante distribuídas nas cidades com as felicitações. Vereadores, prefeitos, governadores e até a presidente saúdam a todos os Servidores Públicos. Mas calma, comemorar o que?

Ainda ontem, fiz parte de um ato público com os servidores municipais de sete cidades (Guanambi, Caetité, Bom Jesus da Lapa, Urandi, Matina, Malhada e Pindaí) e não vi no semblante daqueles bravos professores, moradores sem terra, sindicalistas, servidores municipais e estaduais algo a ser comemorado. Um outro detalhe também me chamou atenção. A principal pauta não era aumento de salário, mesmo entendendo a importância da mesma. Gritavam por concurso público imediato para suas respectivas cidades. Mas Ora! Todos eles tinham trabalho, com exceção dos sem teto, então porque lutar por novas vagas? Intrinsecamente meus caros, estavam todos fazendo o que lhes cabiam: A luta pelo povo. Não dá para continuar a enaltecer uma democracia que traz em seu bojo laços coronelistas, onde os cargos são distribuídos aos apadrinhados sob a tutela do voto de cabresto. Não dá mais para aceitar que aqueles que mais trabalham, a tal base da pirâmide, seja formada por “assalariados mínimos”.

A exploração do homem pelo homem chegou a tal extremo que existe um feriado para comemorar a mesma. O dia 28 outubro camaradas é mais um dia para ratificar a luta, dia de resistência popular. De lutar por uma saúde pública e gratuita, por uma educação de qualidade, por salários capazes de sanar as necessidades básicas. Pois é, a gente não quer só comida. Mas há de se ressaltar que não é possível ter arte e educação com a “barriga vazia”. Já é hora de voltar às ágoras (ruas) brasileiras, pois é lá onde tudo é construído, refletido e modificado. A crítica por si só não resolve, não faz sentido. A demagogia e hipocrisia dos falsos intelectuais só atrasam a emancipação humana.

Saúdo à todos/todas que no dia 28/10 manifestaram o desejo de mudança. À todos que respiram 365 dias o ideal da real e material igualdade entre os homens. À todos os que levantam suas bandeiras, sindicalistas, MST e todos os movimentos sociais existentes. Enfim, como diria o poeta: ”Saudações aos que tem coragem!”