sábado, 10 de setembro de 2011

Nossas Antíteses!


7 de Setembro. Anualmente as pessoas vão às ruas com os rostos pintados de verde e amarelo celebrar a Independência.  A esquadrilha da fumaça com suas perfeitas manobras ratificam  nos céus um nacionalismo e patriotismo “cada vez mais aflorado”. Sim, todo 7 de setembro, desde aquele 1822 celebramos o Grito do Ipiranga!

Em tempos de complexas antíteses, de caos em plena calmaria, todo 7 de setembro reafirmamos o nosso cinismo. O Brasil que conheço é uma espécie de filho adotado dos norte americanos, após é claro ser renegado por portugueses e Ingleses. Somos corruptos, endividados e altamente dependentes da política capitalista neoliberal, que escraviza o nosso povo e enriquece as minorias. Não somos e nunca fomos Independentes.

No Brasil que conheço, parcela do seu povo passa fome, milhares de famílias são desabrigadas anualmente por conta das chuvas, os verdadeiros descobridores do território, índios, são dizimados diariamente. Neste mesmo Brasil, os movimentos sociais são criminalizados por desejarem  melhores condições de vida. Os tais futuros da nação não possuem  uma educação voltada para intervenção na comunidade, pelo contrário, os vários anos na escola/universidade são usados para transmissão de um falso conhecimento, discussão de falsos problemas, formação de falsos intelectuais. Verdadeiramente, o jovem foi transformado em um clichê barato e mentiroso. 

Mas o saudoso Drummond prescreveu um dia no seu “hino nacional”:
Precisamos adorar o Brasil. Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão
no pobre coração já cheio de compromissos…
se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos...
Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?

É... já se passaram 189 anos desde aquele “Independência ou Morte”! Drummond ficaria feliz ao ver/saber que diariamente as pequenas revoluções estão se formando,  e, embora ainda minoria, continuaremos cantando para acabar com nossas antíteses, para que nos próximos anos nos tornemos verdadeiramente emancipados.