quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O desejo de algo inédito!


Mais um ano vai chegando ao fim. 2011 foi nada diferente dentre todos os anos que pude presenciar. O povo continua passando fome, a gente continua a discutir falsos problemas, nossa educação entregue às hienas, e, o sistema exploratório cada vez mais intensificado.

Mas todo fim ano surge sempre os desejos de mudanças, de bater no ombro do outro e desejar feliz natal, próspero ano novo, regado a um bom champagne, blá, blá, blá. Nada de novo, DE NOVO!

Que em 2012 consigamos entender o real caos que estamos inseridos. Que os bilhões investidos para construção dos megaeventos (Copa do mundo e Olimpíadas) poderiam de fato melhorar a vida dessa nossa gente. Todos os nossos impostos meus leitores estão sustentando o maquinário elitista, a efetiva globalização do sistema capitalista. Desejo que todos enxerguem que a política e as decisões tomadas através dela estão descaradamente privilegiando a minoria, nossa democracia está cada dia mais defasada!

A violência urbana aumenta progressivamente, nossas matas entregue às lareiras dos grileiros e posseiros, rios destruídos pela poluição, nosso alimento cada vez mais tóxico. Porém, não da pra indignar-se pela metade, seletivamente, ou melhor, apenas sustentado midiáticamente. As coisas devem ser mudadas de maneira integral, é nisso que acredito. A conveniência que afeta o brasileiro tornam a nossa emancipação cada vez mais complexa.

E que o nosso 2012 seja sim, repleto de paz, amor, saúde e força, para lutarmos por tudo que venho falado durante o ano. Que os milhares de moradores de rua, os famintos e o olhar lacrimejado/humilhado daqueles que pedem esmola nos faça entender que a igualdade e o socialismo se faz necessário e imediato.

É como diria Ana Cláudia:

Se não abrires teus olhos
Se não tiveres a terra
Se não entrares na guerra
Começada por outras mãos
Tu serás sem duvidar
Mais um que a morte sugou
Olhando a vida passar!

Nossa mudança há de acontecer. Feliz 2012 e que seja inédito!

sábado, 29 de outubro de 2011

Saudações aos que tem coragem!


O texto desse mês não trata de uma simples crítica. Afinal, a cada 365 dias, em todo 28 de outubro, comemora-se o dia do servidor público, com direito a feriado, festas e faixas de gente importante distribuídas nas cidades com as felicitações. Vereadores, prefeitos, governadores e até a presidente saúdam a todos os Servidores Públicos. Mas calma, comemorar o que?

Ainda ontem, fiz parte de um ato público com os servidores municipais de sete cidades (Guanambi, Caetité, Bom Jesus da Lapa, Urandi, Matina, Malhada e Pindaí) e não vi no semblante daqueles bravos professores, moradores sem terra, sindicalistas, servidores municipais e estaduais algo a ser comemorado. Um outro detalhe também me chamou atenção. A principal pauta não era aumento de salário, mesmo entendendo a importância da mesma. Gritavam por concurso público imediato para suas respectivas cidades. Mas Ora! Todos eles tinham trabalho, com exceção dos sem teto, então porque lutar por novas vagas? Intrinsecamente meus caros, estavam todos fazendo o que lhes cabiam: A luta pelo povo. Não dá para continuar a enaltecer uma democracia que traz em seu bojo laços coronelistas, onde os cargos são distribuídos aos apadrinhados sob a tutela do voto de cabresto. Não dá mais para aceitar que aqueles que mais trabalham, a tal base da pirâmide, seja formada por “assalariados mínimos”.

A exploração do homem pelo homem chegou a tal extremo que existe um feriado para comemorar a mesma. O dia 28 outubro camaradas é mais um dia para ratificar a luta, dia de resistência popular. De lutar por uma saúde pública e gratuita, por uma educação de qualidade, por salários capazes de sanar as necessidades básicas. Pois é, a gente não quer só comida. Mas há de se ressaltar que não é possível ter arte e educação com a “barriga vazia”. Já é hora de voltar às ágoras (ruas) brasileiras, pois é lá onde tudo é construído, refletido e modificado. A crítica por si só não resolve, não faz sentido. A demagogia e hipocrisia dos falsos intelectuais só atrasam a emancipação humana.

Saúdo à todos/todas que no dia 28/10 manifestaram o desejo de mudança. À todos que respiram 365 dias o ideal da real e material igualdade entre os homens. À todos os que levantam suas bandeiras, sindicalistas, MST e todos os movimentos sociais existentes. Enfim, como diria o poeta: ”Saudações aos que tem coragem!”

sábado, 10 de setembro de 2011

Nossas Antíteses!


7 de Setembro. Anualmente as pessoas vão às ruas com os rostos pintados de verde e amarelo celebrar a Independência.  A esquadrilha da fumaça com suas perfeitas manobras ratificam  nos céus um nacionalismo e patriotismo “cada vez mais aflorado”. Sim, todo 7 de setembro, desde aquele 1822 celebramos o Grito do Ipiranga!

Em tempos de complexas antíteses, de caos em plena calmaria, todo 7 de setembro reafirmamos o nosso cinismo. O Brasil que conheço é uma espécie de filho adotado dos norte americanos, após é claro ser renegado por portugueses e Ingleses. Somos corruptos, endividados e altamente dependentes da política capitalista neoliberal, que escraviza o nosso povo e enriquece as minorias. Não somos e nunca fomos Independentes.

No Brasil que conheço, parcela do seu povo passa fome, milhares de famílias são desabrigadas anualmente por conta das chuvas, os verdadeiros descobridores do território, índios, são dizimados diariamente. Neste mesmo Brasil, os movimentos sociais são criminalizados por desejarem  melhores condições de vida. Os tais futuros da nação não possuem  uma educação voltada para intervenção na comunidade, pelo contrário, os vários anos na escola/universidade são usados para transmissão de um falso conhecimento, discussão de falsos problemas, formação de falsos intelectuais. Verdadeiramente, o jovem foi transformado em um clichê barato e mentiroso. 

Mas o saudoso Drummond prescreveu um dia no seu “hino nacional”:
Precisamos adorar o Brasil. Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão
no pobre coração já cheio de compromissos…
se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos...
Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?

É... já se passaram 189 anos desde aquele “Independência ou Morte”! Drummond ficaria feliz ao ver/saber que diariamente as pequenas revoluções estão se formando,  e, embora ainda minoria, continuaremos cantando para acabar com nossas antíteses, para que nos próximos anos nos tornemos verdadeiramente emancipados.

sábado, 6 de agosto de 2011

O tal “Kit Gay”!


Aproximadamente há dois meses a presidente Dilma suspendeu o Kit anti-homofobia. Kit que continha cartilhas e vídeos a serem distribuídos nas escolas, para que os tais futuros da nação aprendam a respeitar o homossexual não por obrigação, mas, que por serem humanos e, portanto iguais, devem gozar de todos os direitos preestabelecidos constitucionalmente. Já é hora dos tempos do “abaixo o próximo” deixar de existir.

A decisão da presidenta ratificou o quanto a democracia tão aclamada, o poder do povo, nunca existiu. O Estado nunca foi laico, os princípios de isonomia e isogoria jamais estiveram intrínsecos na sociedade. O tão sonhado bem comum, só se torna corriqueiro quando atinge o interesse da minoria burguesa. A censura proposta pelos conservadores religiosos me fez recordar daquele AI-5 dos tempos de Castello Branco, Médice, Geisel e Fiqueiredo. Um verdadeiro “frio na espinha”.

Apesar de passado milênios, da “destruição de Sodoma e Gomorra” à suspensão do Kit, pouca coisa mudou. De lá para cá os antigos sodomistas foram renomeados como homossexuais. Deixaram de ser empalados e queimados na Inquisição da Idade Média para serem assassinados, um a cada três dias, pelos skinheads. Passaram de criminosos e imorais à portadores de doença mental. De hereges para incomum e não natural. Sem mencionar a tal peste gay, quando os homossexuais foram culpabilizados pela difusão da AIDS. É, mudaram os personagens e nomenclaturas, mas intencionalidade continua escancarada.

É lamentável ver que um projeto bastante avançado para os tempos atuais acabara triturado para não ferir o que eles chamam de bons costumes. É lastimável presenciar um representante do povo, deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), discursar com frases homofóbicas e racistas e receber apenas uma notificação. O kit, assim como o casamento e a união estável gay fere o interesse da paz heterossexual pregada pela burguesia e ao mesmo tempo potencializa uma igualdade tão temida por eles. A lógica criada de que somente a heterossexualidade é a sexualidade útil e aceita ficou ameaçada.

Ao contrário do que eles pregam, não se trata de promoção à homossexualidade. O kit está relacionado ao respeito à vida, à quebra de um preconceito que tanto lesa os LGBTT. Em tempos que classifico de pré-revolucionário nosso povo há de ser livre. Permanentemente livre. Essencialmente livre. Os homossexuais podem sim construir relações, famílias, trabalhar e sonhar. Gente como a gente! Bons costumes não podem ser sinônimos de exclusão e homofobia. Que só se tornarão bons, quando a igualdade for posta em primeiro plano.

domingo, 10 de julho de 2011

É SÓ MARCHANDO QUE SE LIBERTA!


A maconha vem soando diariamente nos noticiários. É uma trincheira com os religiosos e conservadores gritando pela criminalização, e liberais pela humanização nas discussões. De certo, temos que a complexidade e falta de apropriação e embasamento sobre o mesmo, transforma a temática em uma discussão bastante complicada e superficial. Os questionamentos, proibições e manifestações sobre a marcha da maconha tornou o último dia 15 um capítulo vitorioso para um movimento social específico.  Os Ministros do Supremo Tribunal Federal foram unânimes quando Celso Mello, relator do projeto disse: “Nada se revela mais nocivo e mais perigoso do que a pretensão do estado de reprimir a liberdade de expressão. O pensamento há de ser livre, sempre livre. Permanentemente livre. Essencialmente livre”. Nossa discussão parte dessa liberdade tão enfatizada.

O tal Estado Democrático de Direito cortejado pela maioria prega que nenhum indivíduo, independente da sua casta, se presidente ou cidadão comum, está acima da lei. Esta lei deve, portanto, expressar a vontade do povo, não os caprichos de reis, ditadores, militares, líderes religiosos ou partidos políticos auto-nomeados. Aí começa a contradição. Em nenhum momento o povo foi convocado para a discussão sobre o uso da maconha. Em nenhuma cadeira na Convenção Única de Entorpecentes que decidiu a proibição do uso, ocorrida em 1961 esteve presente um representante que defendesse os interesses populares. Lá estavam ditadores, militares, líderes religiosos e políticos para determinar o futuro de 5 milhões de usuários. E mesmo com a liberação, por que tantos policiais durantes as marchas? Proteção ou Intimidação? Tudo desde os primórdios foi/está obscuro demais.

Não se trata de defender ou não o uso. Mas não dá para aceitar que em apenas uma reunião meus leitores, a proposta foi deliberada pelas elites, e o uso antes tolerado passou a ser estigmatizado e criminalizado. Que anexado à aprovação vieram indícios de racismo, etnocentrismo, xenofobia, autoritarismo e muitos outros ‘ismos’ que sabemos tão lesivos à construção de um Estado não de Direito, mas de igualdade e liberdade. Não dá para aceitar o descarte de 5 milhões de vidas.

“O proibicionismo nos faz acreditar que a melhor forma de lidar com as drogas e com as pessoas que as consomem é publicar decretos proibindo suas existências e ampliar as maneiras e intensidades de punir àqueles que insistem em não se encaixar nesse mundo utópico.” O tráfico de drogas, a violência e as condições precárias de vida do nosso povo estão ligadas ao sistema que estamos inseridos, e não aos usuários de maconha.

De fato ainda não temos a emancipação necessária para a legalização do seu uso. Mas as discussões, essas devem ser diárias. A arte de duvidar daquela liberdade posta/imposta pelos ministros do STF faz parte do início do verdadeiro processo de libertação. Fico feliz quando vejo uma média de 1500 pessoas nas marchas despreocupadas com o que é ou não veiculado na grande mídia. Independente do motivo, se medicinal ou consumo próprio, o grito das massas, o direito de manifestar-se, não pode parar. É necessário que nos desarmemos quanto aos preconceitos. Precisamos de um pouco mais de humanização, politização e amor para tratar de temas que afetam diretamente milhares de vidas. A liberdade deste ou aquele deve ser decidido pelo mesmo, RESPECTIVAMENTE!

domingo, 12 de junho de 2011

DIAS DE ÍNDIO

De 1500 para cá, ou melhor, da chegada do Cabral ao Brasil até construção de Belo Monte já se foram 511 anos. Gosto dos retratos históricos, pois eles explicam por si só o que vem ocorrendo com nosso povo. Porque quando o ilustríssimo Pedro Álvares atracou na ilha de Vera Cruz, e junto a ele sua bandeira de pseudodescobrimento, surge na dor do escravismo maquiado de escambo, a relação com os verdadeiros donos da terra. Mais que isso, surge neste momento indícios de uma tragédia anunciada. Viviam aqui Bacajás, Aimorés, Ianomâmis, Tucumãs, Pataxós, Capotos, Caiapós. Índios de verdade. 

Gosto também dos retratos históricos, pois os mesmos são impossíveis de serem apagados por qualquer tipo de borracha. Por que comemorar o 19 de abril? Contraditório. Digo isso por ser complicado enaltecer a data criada pelo homem branco para um povo que foi iludido, coisificado, estuprado, usurpado e queimado por aqueles mesmos companheiros de Cabral. O dia do índio deveria ser o dia da morte de Galdino, o dia da não punição dos seus assassinos, da construção de Belo Monte, pois estes refletem o verdadeiro retrato. A nossa raiz, está sendo esmagada para a iluminação/enriquecimento de uma minoria (estatais), pois a maioria (os índios) não irá usufruir da energia produzida. Eles estão tentando nos mostrar que ao deixar 22 mil índios a beira do abismo, transformando o Rio Xingú num Lago artificial de Sangue, são capazes de apagar a nossa história. Não! Eles não são capazes!

Engraçado, o leilão das empresas para construção da Usina de Belo Monte ocorreu na semana dos povos indígenas, na semana do 19 de abril. “Vai valer a pena, afinal são 11, 233 mil MW de capacidade de produção e ainda terão alguns milhões de reais injetados para o desenvolvimento daquela região. Tudo pela ordem e pelo avanço” afirmam os tais progressistas, personificados nas crônicas de Jabor. 

A usina de Belo Monte meu Povo não vai provocar apenas a devastação de florestas, rios, fauna e surgimento de mais latifúndios naquela região. Infelizmente não é só isso. O problema se torna real, material e palpável quando passa a destruir vidas. São pessoas que embora negadas ao pesar dos tempos, fazem parte da nossa construção como nação. Foram e são aquilo que ainda existem de pureza num país corrompido, cego e escravizado pelo desejo de se tornar uma potência. Potência para que? Potência para quem?

O que me deixou mais feliz foram as mobilizações, ocupações e até ameaças daquele povo sofrido, presenciado no canto: “Embarca na luta, embarca, molha o pé, mas não molha a meia, não venham lá de Brasília fazer barragem na terra alheia”. Naquele momento houve o autorreconhecimento de parte da população como povo. Eles ameaçaram pegar em armas. Ufa! Inicialmente meus caros, lutamos pelos problemas que nos afetam diretamente, logo após lutamos pelo outro e por fim a revolução popular está montada. Não tão simples como os meus dizeres, mas essa é a lógica.

O arrepio final veio quando o Cacique Caiapó recordou-se de um antecessor. “Só quando o homem branco destruir a floresta, matar todos os peixes, matar todos os animais e acabar com todos os rios, é que vão perceber que ninguém come dinheiro”. Vamos à luta. E nesses dias de índio o impossível há de se tornar cotidiano, nosso povo há de tomar o poder e os tais direitos humanos hão de existir.

Há Braços na Luta!

domingo, 5 de junho de 2011

GRITA MEU POVO!

"Por menores que sejam, os jardins ficam repletos de cães ao anoitecer. E embora estivessem ali por motivos banais, eles se interessam uns pelos outro. É um tal de chihuahua que conversa com um dinamarquês, um terrier  que se junta a um pastor alemão para farejar, enfim, um espetáculo admirável. E por mais de suas inúmeras distinções em cor, tamanho, força e forma eles se reconhecem. Cheiram-se, brincam entre si, perseguem-se e às vezes atacam-se. Mas se reconhecem." Diferentemente da paz e igualdade canina está o povo brasileiro, ratificado no 03 e 04 de junho de 2011.

Ainda ontem os bombeiros bateram de frente com um sistema bem estruturado, fazendo surgir o arrepio da ditadura de 64. O autoritarismo de Médice foi maqueado, recebeu um novo nome, novos cargos, mas as armas são as mesmas. O BOPE, instituição canonizada através dos Tropas de Elite, faz o papel daquela DOPS de tempos de outrora. Reprime e oprime a classe trabalhadora e ao mesmo tempo, defende a propriedade privada. Esse é o único objetivo da “nossa” polícia.

Estavam lutando de forma pacífica por melhores condições de vida. As necessidades básicas caros leitores (moradia, saúde, educação e lazer), são fatos materiais e imediatos. Não da para tratá-los como mais um programa de governo com efeito inicial em 20 anos. Mas o capital é cruel. Vocês não podem lutar por melhorias, serão tratados como irresponsáveis, vândalos e covardes, podendo ser preso por até 30 anos. Para este sustento basta o simples “plim plim” da mídia e pronto! Toda a população explorada passa então a culpabilizar e criminalizar as vítimas. A parte mais simples é esconder as verdadeiras causas do caos, basta um pouco de sinismo e uma caricatura midiática respeitada e bum!

Me emocionei quando vi as helenas brasileiras fazendo parte do processo.  Gramsci, Marx, Tchê, Rosa Luxemburgo e Mandela, todos chorariam felizes ao ver o que todos fizeram. Pois ainda que de maneira empírica, o povo foi para as ruas, fechou o quartel, e gritou por 24 horas por igualdade. Já é hora desse povo ser ouvido! Já é hora desse povo ser o relator da sua história! O povo tem que parar de brigar por direitos. Sim, sim! Temos que avançar. A sustentação da nossa luta esta em acabar com essa miséria, com um sistema que chamam de democrático e que usa armas alienantes e ditatoriais.  Já é hora de voltar às ruas, pois somente o povo pode cortar suas algemas.

O falar do nosso povo deve ser pautado na emancipação humana. Damos autonomia e desalieamos e somente depois libertamos e igualamos. Já passou da hora dos meios de produção, construído e sustentado pelo homem se tornar propriedade do mesmo povo. Pois é meus caros ‘bombeiros”, o nosso canto não pode parar. E como pregou Valcácel, enquanto esperamos, ao entardecer, que essa coruja de Minerva levante vôo, podemos e devemos continuar contemplando os cães. Afinal, são sábios à sua maneira. Têm muito a nos ensinar.

Há Braços na Luta!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Maio!

Especificamente, 13 de maio! Há exatos 123 anos a corrente que unia o negro à exploração “caiu”. Caiu para atender os interesses de uma minoria que emergia, mas há de se reconhecer que vários foram os heróis para tal feito, anteriores e posteriores a tal data. Lembro-me de Zumbi, Mandela, Martin Luther King e todos aqueles que se fizeram e se reconheceram como POVO!

Viva a história de um povo, que embora passado tantos anos, luta diariamente para cortar uma corrente que foi transcrita através da lei Áurea. Nós, Negros, lutamos por aquela igualdade sonhada por Luther King e ancorada nas ideologias de Mandela. Somos descendentes de Zumbi, somos bravos, valentes, somos nobres!

Viva as religiões de matriz africana, o candomblé, os terreiros de umbanda, que sofrem tanto preconceito como os seus idealizadores em tempos de outrora. Viva às baianas do acarajé, os jogadores de capoeira, o ilê. Viva a todos os trabalhadores, oprimidos, explorados, pois “os gritos aflitos do pobre, os gritos aflitos de todos os povos do mundo no meu peito desabrocham. E em força, em revolta, me empurram para luta, me comovem!”

Sonho e luto para que nos próximos “trezes de maio”, o negro não seja culpabilizado e hostilizado por morar em favelas. Que as pessoas entendam que a história desse negro se translitera como história brasileira e portanto, história do povo brasileiro. Que não importa a tonalidade da pele, o que faz, onde reside; o negro é gente como a gente.

E em meio a frases minhas imersas na obra do saudoso Carlos Assumpção, ratifico aquela linhagem dos cadernos negros:
Zumbi é meu pai e meu guia
Eu trago quilombos e vozes bravias dentro de mim,
Eu, eu trago os duros punhos serrados
Serrados como rochas
Floridos como jardins!

Há Braços na Luta!