Confesso que as ultimas
eleições foram animadoras. Após a difícil disputa e os discursos à esquerda,
Dilma ganhou força e as eleições graças aos movimentos sociais/populares que
intensificaram a caminhada nas ruas. Dilma só ganhou as eleições porque falou
diretamente com o povo, falou de resistência com os negros e demais oprimidos,
de ampliação dos ganhos sociais e de reforma política como deve ser, através de
um plebiscito.
Dois meses após a
posse, percebemos até aqui que Dilma fraquejou.
Não votei na Dilma para aumentar as tarifas de energia, combustível e
juros. Não votei no PT para o governador comemorar como um gol a chacina no
Cabula em Salvador. Não votei na Dilma para ver Kátia Abreu como ministra da
agricultura e falando que não existem mais latifúndios. Não votei na Dilma para
ver Joaquim Levy comandar a economia arrochando ainda mais os trabalhadores que
a elegeram. Sim, com coerência temos que admitir, é sim estelionato.
O governo Dilma está
perdendo uma das maiores oportunidades da história. Com as riquezas mundiais diminuídas,
não dá mais para continuar com uma política em que todos ganham, é hora de
posicionar-se ao lado de quem a apoiou. A crise atual foi ocasionada pela
ganância dos milionários e suas empresas e são eles que devem pagar por ela. O
momento clama por reformas estruturantes: taxação de grandes fortunas,
regulação e democratização dos meios de comunicação e reforma política através
de um plebiscito popular. Foi pra isso que o PT se reelegeu.
Contudo, mesmo com
todas as contradições, jamais apoiaria o golpismo. Se os fascistas vão às ruas
no dia 15 de março pedir impeachment com beicinho de menino mimado após as
eleições passadas, o povo tem que responder que não aceita o golpe. Não
aceitamos essa palhaçada comandada pelo PSDB porque sabemos o caminho que ela
nos levará. Mas para irmos às ruas defendê-la, o governo Dilma tem que se
tornar defensável e no momento não é. Pergunte no boca-boca e verá o quão difícil
é defender o governo Dilma. A presidenta tem que posicionar-se urgentemente à
esquerda ou será tarde, como foi tarde demais para Vargas em 1954. Ela está
perdendo a confiança dos seus eleitores em apenas dois meses e isso é
catastrófico.
Ou o governo Dilma para
de ser covarde, ou sua defesa contra o
golpismo em curso não será composta por nós trabalhadores. A sua defesa será composta por Levy, Kátia Abreu e Barbosa e sinceramente
duvido que eles trocarão o ar-condicionado de suas salas pela bandeira vermelha
nas praças públicas. Definitivamente, ou o Governo Dilma muda, ou morre
sozinho.