A maconha vem soando diariamente nos noticiários. É uma trincheira com os religiosos e conservadores gritando pela criminalização, e liberais pela humanização nas discussões. De certo, temos que a complexidade e falta de apropriação e embasamento sobre o mesmo, transforma a temática em uma discussão bastante complicada e superficial. Os questionamentos, proibições e manifestações sobre a marcha da maconha tornou o último dia 15 um capítulo vitorioso para um movimento social específico. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal foram unânimes quando Celso Mello, relator do projeto disse: “Nada se revela mais nocivo e mais perigoso do que a pretensão do estado de reprimir a liberdade de expressão. O pensamento há de ser livre, sempre livre. Permanentemente livre. Essencialmente livre”. Nossa discussão parte dessa liberdade tão enfatizada.
O tal Estado Democrático de Direito cortejado pela maioria prega que nenhum indivíduo, independente da sua casta, se presidente ou cidadão comum, está acima da lei. Esta lei deve, portanto, expressar a vontade do povo, não os caprichos de reis, ditadores, militares, líderes religiosos ou partidos políticos auto-nomeados. Aí começa a contradição. Em nenhum momento o povo foi convocado para a discussão sobre o uso da maconha. Em nenhuma cadeira na Convenção Única de Entorpecentes que decidiu a proibição do uso, ocorrida em 1961 esteve presente um representante que defendesse os interesses populares. Lá estavam ditadores, militares, líderes religiosos e políticos para determinar o futuro de 5 milhões de usuários. E mesmo com a liberação, por que tantos policiais durantes as marchas? Proteção ou Intimidação? Tudo desde os primórdios foi/está obscuro demais.
Não se trata de defender ou não o uso. Mas não dá para aceitar que em apenas uma reunião meus leitores, a proposta foi deliberada pelas elites, e o uso antes tolerado passou a ser estigmatizado e criminalizado. Que anexado à aprovação vieram indícios de racismo, etnocentrismo, xenofobia, autoritarismo e muitos outros ‘ismos’ que sabemos tão lesivos à construção de um Estado não de Direito, mas de igualdade e liberdade. Não dá para aceitar o descarte de 5 milhões de vidas.
“O proibicionismo nos faz acreditar que a melhor forma de lidar com as drogas e com as pessoas que as consomem é publicar decretos proibindo suas existências e ampliar as maneiras e intensidades de punir àqueles que insistem em não se encaixar nesse mundo utópico.” O tráfico de drogas, a violência e as condições precárias de vida do nosso povo estão ligadas ao sistema que estamos inseridos, e não aos usuários de maconha.
De fato ainda não temos a emancipação necessária para a legalização do seu uso. Mas as discussões, essas devem ser diárias. A arte de duvidar daquela liberdade posta/imposta pelos ministros do STF faz parte do início do verdadeiro processo de libertação. Fico feliz quando vejo uma média de 1500 pessoas nas marchas despreocupadas com o que é ou não veiculado na grande mídia. Independente do motivo, se medicinal ou consumo próprio, o grito das massas, o direito de manifestar-se, não pode parar. É necessário que nos desarmemos quanto aos preconceitos. Precisamos de um pouco mais de humanização, politização e amor para tratar de temas que afetam diretamente milhares de vidas. A liberdade deste ou aquele deve ser decidido pelo mesmo, RESPECTIVAMENTE!

Sou contra pelo fato de a maconha ser uma Droga,com sua libertação muitos pessoas e principalmente os jovens serão influenciados a usa-lá, quem esperimenta ou quem usa não consegue ficar só nela,porque ela faz com que as pessoas usem mais e mais, vai chegar um tempo que ela não vai mais servir e é ai que vem o grande problema o uso de outras drogas mais perigosas.
ResponderExcluirFátima Fernandes
Concordo qdo vc diz que na conjuntura em que estamos legaliza-la seria negligenciar muitas questões. Entretanto o maior problema não é o consumo, e sim as disputas pelo comando do tráfico. Então pergunto: como será o tráfico se liberarem? Acho que só o tempo pode responder.
ResponderExcluirConcordo com você Jovem Ricardo, de fato no Brasil o proibicionismo é o que impera e a opinião pública por sua vez não chega a valer tanto quanto se prega na cartilha, tecnicismo é a moda no Brasil e o povo...é só o povo.
ResponderExcluirRespondendo ao Anônimo...meu amigo, a maconha é só mais uma dentre várias, assim como o cigarro e álcool, ou melhor, cigarro e álcool são as drogas mais usadas e as que mais matam pessoas no mundo inteiro! E te pergunto: porque cigarro e álcool são liberados? Bem, acredito que um dos problemas da legalização da maconha é a repressão da sociedade por várias questões culturais, sociais sem falar no próprio preconceito, aqui no Brasil, por exemplo, ela era conhecida como “coisa de negro” sabia disto? Quem é usuário gostaria que ela fosse liberada por causa deste tipo de repressão que TODO usuário DE QUALQUER TIPO de droga tem, além do fato de ter contato direto com traficantes – na maior parte das vezes, acredito – mesmo ainda existe o medo de ser “taxado” de vagabundo pela sociedade ou até mesmo apanhar de policiais só porque você estava em posse de tal…vai saber.
Outro ponto importante a se questionar é quando você diz que a maconha é a porta para outros tipos de drogas mais pesadas, NADA A VER! Conheço gente que fuma cigarro mas não fuma maconha, gente que fuma maconha mas não fuma cigarro, gente que fuma maconha há relativos anos e ainda sim continua SÓ usando a tal. Me desculpe mas você falou MERDA, ou melhor, foi de certa forma influenciado pelas mídias a pensar assim, mas calma! Você não é o único no mundo que acredita em Papai Noel, fadas, etc...Uma coisa te digo, a natureza criou os desejos, o homem os excessos.
Em relação à Rosane, acredito que você sim tocou em um ponto chave, o problema não é mesmo o consumo como muitos anônimos pensam... O verdadeiro problema está na disputa, ou seja, caso fosse liberado, com certeza haveria uma queda bastante significativa no orçamento dos traficantes, uma grande parcela dos usuários iriam adotar aquela famosa frase “não compre, plante!” sendo assim, nem só usuário poderia plantar, o capitalismo também iria querer a sua fatia no bolo e toda a venda da maconha seria controlada por um monopólio estatal, o governo plantaria e forneceria a droga, permitindo assim um controle maior sobre tudo. Por fim pra maquiar a situação iriam e estabelecer aquelas regrinhas que bem conhecemos como teor, composição química exigida, proibição para menores e proibição para fumar e dirigir. Ah! Também cobrariam impostos altíssimos para evitar que o preço não caísse tanto com o fim do tráfico ilegal. Sem falar que a indústria privada poderia assumir o negócio né, gerando mares de dinheiro por conta da erva danada.
Pois é, enquanto isso não acontece vou ficando por aqui e agora que veio o silêncio, vou fumar unzinho e ouvir Coltrane, ops! Não faço mais isso mas entendo muito bem...
...cof...cof! (fumegou....rsrsrsrs)