sábado, 6 de agosto de 2011

O tal “Kit Gay”!


Aproximadamente há dois meses a presidente Dilma suspendeu o Kit anti-homofobia. Kit que continha cartilhas e vídeos a serem distribuídos nas escolas, para que os tais futuros da nação aprendam a respeitar o homossexual não por obrigação, mas, que por serem humanos e, portanto iguais, devem gozar de todos os direitos preestabelecidos constitucionalmente. Já é hora dos tempos do “abaixo o próximo” deixar de existir.

A decisão da presidenta ratificou o quanto a democracia tão aclamada, o poder do povo, nunca existiu. O Estado nunca foi laico, os princípios de isonomia e isogoria jamais estiveram intrínsecos na sociedade. O tão sonhado bem comum, só se torna corriqueiro quando atinge o interesse da minoria burguesa. A censura proposta pelos conservadores religiosos me fez recordar daquele AI-5 dos tempos de Castello Branco, Médice, Geisel e Fiqueiredo. Um verdadeiro “frio na espinha”.

Apesar de passado milênios, da “destruição de Sodoma e Gomorra” à suspensão do Kit, pouca coisa mudou. De lá para cá os antigos sodomistas foram renomeados como homossexuais. Deixaram de ser empalados e queimados na Inquisição da Idade Média para serem assassinados, um a cada três dias, pelos skinheads. Passaram de criminosos e imorais à portadores de doença mental. De hereges para incomum e não natural. Sem mencionar a tal peste gay, quando os homossexuais foram culpabilizados pela difusão da AIDS. É, mudaram os personagens e nomenclaturas, mas intencionalidade continua escancarada.

É lamentável ver que um projeto bastante avançado para os tempos atuais acabara triturado para não ferir o que eles chamam de bons costumes. É lastimável presenciar um representante do povo, deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), discursar com frases homofóbicas e racistas e receber apenas uma notificação. O kit, assim como o casamento e a união estável gay fere o interesse da paz heterossexual pregada pela burguesia e ao mesmo tempo potencializa uma igualdade tão temida por eles. A lógica criada de que somente a heterossexualidade é a sexualidade útil e aceita ficou ameaçada.

Ao contrário do que eles pregam, não se trata de promoção à homossexualidade. O kit está relacionado ao respeito à vida, à quebra de um preconceito que tanto lesa os LGBTT. Em tempos que classifico de pré-revolucionário nosso povo há de ser livre. Permanentemente livre. Essencialmente livre. Os homossexuais podem sim construir relações, famílias, trabalhar e sonhar. Gente como a gente! Bons costumes não podem ser sinônimos de exclusão e homofobia. Que só se tornarão bons, quando a igualdade for posta em primeiro plano.

6 comentários:

  1. Minoria "livre". A constituição não deve ser a favor da minoria, isso não seria democracia, mas garantir o bem de todos. Hum, quem teve acesso pela internet ao kit gay, sabe que o tal é muito agressivo às crianças, eu não permitiria que meu filho assistisse. Mas respeito ao próximo independente de cor,raça, religião e opção sexual aprendemos em casa, acima de tudo o respeito ao ser humano. Além do mais, Dilma não agiu como uma militar, mas como uma presidente de uma nação que pratica a democracia, onde na urnas a maioria prevalece, e a maior parte da população brasileira não está preparada para isso, ainda. Isso é democracia!

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  3. Democracia excludente se for isso que quer dizer.Não podemos dizer que o nosso Estado seja para todos, pois desde a aceitação de quem deve votar e ser votado, este Estado e sua população é excludente. Não podemos aceitar preconceitos de quaisquer formas, e muito menos de represantes do Estado. O kit serve como um guia, uma orientação para os docentes, e conscientização para as crianças e adolescentes, pois não podemos mais permitir que esteriótipos e "brincadeiras" se perpetuem, ou melhor continuem!
    Palavras "inocentes" viadinho, pau na bunda, sapata, e relaciona-los a pessoas de má índole, desonestas, fere diretamente a constituição que você Pablo mencionou, principalmente em que todos são iguais e devem ser tratados com respeito! Para a igualdade, devemos mudar nossas práticas, sejam as que cometemos ou sejam as que nos omitimos frente a estas injúrias.
    Antes que transcorram palavras a meu respeito, não sou homoafetivo, mantenho uma relação heterossexual estável, tenho uma filha, mas isso não significa que permitirei que o Estado, pessoa, grupo ou sociedade fira os direitos que tod@s os cidadãos e cidadãs, que pagaram minha universidade, minha segurança, minha saúde, minha cultura, possuem!
    A população não está preparada para aceitar a homossexualidade, mas está preparada a aceitar a violência de todas as formas sofridas por eles.
    O respeito não basta, precisamos agir!

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  4. Concordo completamente com Pablo, não podemos sujeitar nossas crianças a assistirem vídeos dentro de sua própria sala de aula, onde a homossexualidade é vista como algo absolutamente normal e quem tem uma opnião diferente daquilo ao expressá-la, ser considerado homofóbico. Esse tipo de união homossexual ao meu ver não iria ferir "um interesse pregado pela burguesia" mas iria acabar com a visão de família, a qual é desde o ínico do mundo a essência de uma vida.
    Lógico que as ações dos skinheads é uma volta ao passado, aos tempos de Hitler, uma visão absolutamente fechada. Não podemos julgar, pois eles realmente são gente como a gente, mas não acho necessário concordar, muito menos ajudar (com o uso dos kits)essa onda homossexual.

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  5. Que respeito limitado, não Pablo?! E outra, não é opção de ninguém nascer homossexual o heterossexual, portanto seria melhor condição sexual. Mas como já dizia nosso caro colega que escreveu muito bem sobre o Kit, mudaram os personagens e nomenclaturas, mas intencionalidade continua escancarada.

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